GERAL
Mães cansadas: a exaustão da maternidade que não é causada pelos filhos
   

Por Franciane Schuster, psicóloga
08/05/2026 08h04

O Dia das Mães está chegando, e com a data começam a surgir perguntas como “O que você quer ganhar de presente?”. Pode ser que algumas de nós recebam uma peça de roupa, um par de sapatos, um item de maquiagem ou quem sabe até uma massagem em um spa. Mas, além dos abraços, beijinhos e carinhos sem ter fim, vamos arriscar um palpite: o que a maioria de nós gostaria mesmo é de poder descansar.

Mas não bastaria um simples descanso breve, de um cochilo no meio da tarde ou um fim de semana com as amigas. Parece que nem mesmo dormir por cinco dias seguidos resolveria a situação. Nosso cansaço é tão denso que talvez fosse necessário praticamente entrar em suspensão para conseguir reparar um pouco da exaustão materna.

A realidade é que ser mãe cansa. E não é “só” o cansaço físico de acordar de madrugada para amamentar, de manter guarda 24 horas por dia para que o bebê que está começando a engatinhar ou andar não se machuque, ou de monitorar os aplicativos que a criança de 13 anos está acessando quando fica no próprio quarto.

O cansaço materno é muito maior, mais profundo e mais perene do que isso. A falta de rede de apoio, a dificuldade de conciliar maternidade e vida profissional, de entrar no mercado de trabalho e conseguir permanecer nele, e a inexistência de políticas públicas que aliviem o peso que é manter vivo e educar um ser humano contribuem decisivamente para uma legião de mães cansadas.

Como ajudar uma mãe a descansar

Não há nada de errado em oferecer um presente especial no Dia das Mães. Mas pequenas e consistentes mudanças diárias podem fazer muito mais por uma mãe cansada do que um único e grande gesto em um dia isolado.

Por isso, para ajudar uma mãe cansada a descansar, o melhor é que as pessoas ao seu redor façam cada uma a sua parte ao compartilhar a responsabilidade, que é de todos, de criar uma criança.

Companheiros precisam parar de agir como rede de apoio e assumir, definitivamente, seu papel, dividindo não só as tarefas da casa mas também a carga mental de planejá-las. Do contrário, a maior parte do trabalho pesado continuará sendo feito pelas mães.

Amigos e familiares podem se tornar uma rede de apoio de confiança para que as mães tenham mais tempo e energia para olhar para si mesmas. Você não precisa encher a criança de presentes para fazer parte da vida dela. Converse com a mãe para saber como apoiá-la e, principalmente, respeite as suas escolhas.

Na prática, isso quer dizer o seguinte: pode ser que a mãe prefira continuar com as atividades relacionadas ao bebê, como dar banho, alimentar e colocar para dormir, enquanto você ajuda com as roupas que precisam ser lavadas e guardadas ou prepara refeições que possam ser congeladas e consumidas ao longo da semana. Não se trata de oferecer a ajuda que você quer, mas sim a que a mãe precisa. Do contrário, em vez de se sentir confiante e aliviada por poder contar com você, sua ajuda se tornará mais um problema a ser resolvido por essa mãe.

Ainda que você não tenha nenhuma mulher que é mãe no círculo de pessoas mais próximas da sua vida, enquanto cidadão e membro ativo da sociedade você pode e deve cobrar instituições públicas e privadas por melhores condições de trabalho para todas as mulheres. Lute por creches e escolas gratuitas e de qualidade, por vagas inclusivas e afirmativas para mães, e também pela ampliação da licença-paternidade, para que a responsabilidade com os filhos seja igualmente compartilhada desde o parto ou a adoção.

Promova trocas e conversas com mães de todos os tipos, e não esqueça que o seu recorte da realidade nada mais é do que isso mesmo, um recorte. Existem muitas maneiras de ser mãe, e não é possível reduzir todas elas aos estereótipos que cabem somente nos comerciais de TV.

Ofereça a uma mãe cansada aquilo que ela costuma oferecer sempre para todos. Seja abraço, seja colo, seja amparo. Ofereça seu tempo, sua atenção, seu afeto e seu compromisso. Toda mãe é única, mas nós não precisamos ser tudo o tempo todo.

 

Por Fabiana Zveiter


   

  

menu
menu

Nós e os terceiros selecionados usamos cookies ou tecnologias similares para finalidades técnicas e, com seu consentimento, outras finalidades, conforme especificado na política de cookies.
Você poderá consentir o uso de tais tecnologias ao usar o botão “Aceitar”. Ao fechar este aviso, você continua sem aceitar.

SAIBA MAIS

Aceitar
Não Aceitar