GERAL
Por que a rejeição machuca tanto?
   
Evoluímos programados a evitar a rejeição em todas as suas formas

Por Franciane Schuster, psicóloga
27/03/2026 07h51

Para lidar com a rejeição, primeiro é preciso entender porque este sentimento nos perturba e machuca tanto. Por que não conseguimos simplesmente deixar de nos importar?

A resposta está na história: o ser humano sempre viveu em sociedade e, há milhares de anos, fazer parte de um grupo era essencial à sobrevivência do indivíduo. Ou seja, ficar de fora representava risco de vida.

Assim, evoluímos programados a evitar a rejeição em todas as suas formas.

Hoje, este sentimento com o qual lidamos desde a pré-história pode ser agravado pela modernidade tecnológica que surgiu com o intuito de aproximar as pessoas, mas que nem sempre funciona assim.

Sofremos imensamente ao nos depararmos com este sentimento em suas mais variadas escalas e, para algumas pessoas que são especialmente sensíveis a ele, os danos podem ser graves e contribuir para o surgimento de problemas que vão desde a baixa autoestima e falta de autoconfiança até o desencadeamento de uma depressão.

Como lidar com a rejeição?

Acabe com a autocrítica. Quando nos deparamos com uma rejeição, nossa mente intuitivamente procura razões para explicar o ocorrido.

O problema é que, em meio a tantos sentimentos negativos, é comum que nos culpemos, façamos autocríticas pesadas, menosprezando e diminuindo a nós mesmos.

Tudo isso só agrava o problema e gera ainda mais sentimentos negativos.

Assim, uma das formas recomendadas por psicólogos para lidar com a rejeição mais saudavelmente é evitar a todo custo pensamentos que reflitam este sentimento de autoflagelação e fortalecer o autoconhecimento.

Policiar o pensamento para não culpar a si mesmo ajuda a ver a situação de uma perspectiva mais clara e lógica.

Além disso, assim, fica mais fácil pensar racionalmente sobre a necessidade de agir de forma diferente em uma situação futura e de que forma fazer isso.

Cuide da sua autoestima

Uma rejeição, independentemente da proporção, costuma causar grandes danos à autoestima.

Portanto, para lidar com uma demissão, por exemplo, o recomendado é tentar buscar formas de reforçar e relembrar as qualidades que sabemos que temos, sem jamais questioná-las.

Para lidar com o fim de uma amizade, relembrar aquilo que faz de nós bons e verdadeiros amigos também é válido.

Tudo isso ganha ainda mais peso quando feito de forma escrita: psicólogos costumam recomendar que seus pacientes façam listas com suas qualidades como uma forma de autoapreciação e autoconhecimento.

Assim, tudo fica documentado e a disposição para quando um “lembrete” for necessário.

Recentemente, pesquisadores descobriram que a mesma área do nosso cérebro que lida com a rejeição lida também com a experiência da dor física. Isso sugere que estes dois sentimentos estão muito ligados.

Porém, quando sentimos dor física é comum que busquemos formas de aliviá-la ou de curar um possível ferimento ou doença e, assim, evitar que a dor retorne, certo?

Mas por que não fazemos o mesmo com problemas psicológicos, especialmente em casos tão prejudiciais quanto o da rejeição?

Quando o sentimento de rejeição é frequente nos impede de enxergar as coisas com um olhar claro, as chances de que nos fechemos para nós mesmos são muito grandes, assim como o risco de desenvolver problemas psicológicos que podem se tornar difíceis de resolver.

Quando temos um machucado leve na pele, cuidamos dele sem necessidade de ajuda de um médico. Mas quando o ferimento é grave, corremos para o hospital.

Com a nossa saúde emocional também é assim: quando o sentimento de rejeição não passa e começa a afetar nosso dia a dia de forma negativa, significa que é hora de buscar ajuda de um psicólogo capacitado para que possamos recuperar o bem-estar através de um processo terapêutico.

Por Melissa Almeida dos Santos


   

  

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