CIDADES
Endividamento bilionário preocupa os pequenos produtores gaúchos na safra de verão
   
Produtores estão pressionados após vários anos consecutivos de quebras de produção devido a problemas climáticos

Por ROS
21/09/2026 07h24

Levantamento da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS) indica que, no Estado, as dívidas entre os agricultores e pecuaristas enquadrados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) já somam R$ 8,5 bilhões. Pressionados por endividamentos após vários anos consecutivos de quebras de produção devido a problemas climáticos, pequenos produtores rurais do Rio Grande do Sul estão preocupados neste início de safra nova de verão.

Apenas R$ 3 bilhões (ou 35% do total) estão elegíveis para renegociação nos termos da Medida Provisória (MP) 1.376/2026, publicada pelo governo federal. Em carta aberta, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) defende que a “renegociação rural precisa sair do papel e chegar ao produtor”.

Apesar de a MP estar em vigor, a Frente destaca que a renegociação ainda não alcança os produtores na “velocidade e na escala necessárias, especialmente os pequenos produtores e aqueles em situação de maior vulnerabilidade financeira”. De acordo com a FPA, há entraves na liberação dos recursos decorrentes da exigência de laudos agronômicos para a comprovação de perdas passadas, da revisão de garantias cobradas do produtor, da cobrança de entrada no pagamento do alongamento e de custos adicionais.

Para a frente, são restrições que podem “comprometer o acesso ao crédito para a próxima safra”. Outro ponto citado pela frente é a existência de regras ‘incompatíveis’ com os fundos constitucionais. “É neste momento que o Congresso precisa exercer plenamente seu papel: acompanhar a execução da política pública, identificar os obstáculos e aperfeiçoar o texto para que a solução aprovada produza resultados concretos no campo”, cobrou a FPA.

Safra

O Rio Grande do Sul deve colher 35,639 milhões de toneladas na safra de verão 2026/27, segundo estimativa apresentada pela Emater/RS-Ascar durante a Expointer, em Esteio. Se confirmado, o volume ficará 8,64% acima das 32,804 milhões de toneladas colhidas na temporada passada. A área plantada deve somar 8,248 milhões de hectares, com leve recuo de 0,37%.

A projeção considera as safras de soja, arroz, milho, milho silagem, feijão e sorgo. De acordo com a Emater/RS-Ascar, o crescimento da produção total é sustentado principalmente pela recuperação da soja. A oleaginosa deve alcançar 21,151 milhões de toneladas em 2026/27, alta de 15,32% sobre as 18,342 milhões de toneladas do ciclo anterior. A área semeada está estimada em 6,645 milhões de hectares, queda de 0,92%. Já a produtividade deve subir de 2.735 quilos por hectare para 3.183 quilos por hectare, avanço de 16,37%.


   

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