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Violência contra a mulher: o que estamos fazendo? |
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| A prevenção e a educação em todos os níveis, como estratégia de enfrentamento é sempre um caminho mais eficaz | |
O que enxergamos quando lançamos luz sobre as sombras dos ambientes domésticos? Que padrões culturais e psicossociais alimentam um ciclo de violência aparentemente interminável e ainda sustentam uma dinâmica de poder altamente tóxica contra as mulheres? Não há classe social, idade, religião, nível de escolaridade ou perfil de personalidade capaz de proteger completamente as mulheres da violência de gênero. Ela está presente em todos os lugares e faixas etárias, permeia inúmeras relações e representa uma marca historicamente triste da nossa sociedade.
Até pouco tempo atrás, as mulheres ainda eram consideradas incapazes ou impedidas de exercer funções e ocupar espaços básicos na sociedade. A visão de inferioridade feminina permanece impregnada e ainda ressoa no pensamento e no comportamento coletivo. O machismo continua se manifestando por meio de atitudes, crenças e normas reproduzidas socialmente, inclusive dentro das instituições, no trabalho, na política e até mesmo na justiça.
Dentro desse contexto, é importante compreender que o machismo pode se manifestar de formas sutis e frequentemente naturalizadas, desde “piadas” depreciativas em rodas de amigos até atitudes mais graves e violentas, como manipulação, controle psicológico, ameaças, ciúme excessivo e isolamento social. Essas práticas configuram diferentes formas de abuso emocional que, quando não reconhecidas e enfrentadas, tendem a se intensificar progressivamente. Quando esse padrão de comportamento é repetido e tolerado, o agressor pode interpretar essa permissividade como uma legitimação de seu domínio, passando a acreditar que possui autoridade e poderes absolutos sobre a vítima, normalizando relações marcadas pela violência e pelo controle.
Somente neste ano, até o momento, o Rio Grande do Sul já registrou mais de 34 feminicídios. Esses números jamais podem ser banalizados. Mas por onde devemos caminhar em busca de soluções? Embora a resposta pareça óbvia, ainda precisamos falar sobre isso de maneira contínua e incansável.
A família e a escola desempenham um papel fundamental no combate à violência contra a mulher, pois são espaços essenciais para a formação de valores, respeito e convivência social. Dentro de casa, é importante ensinar, desde cedo, a igualdade entre homens e mulheres, incentivando o diálogo, o respeito aos limites e a resolução pacífica de conflitos. Além disso, a família deve estar atenta a comportamentos agressivos, controladores ou discriminatórios, orientando e corrigindo atitudes machistas antes que elas se tornem naturalizadas. Também ensinar a observar os primeiros sinais de violência, como agir diante de tal situação e procurar ajuda sempre que necessário.
A escola, por sua vez, pode promover debates, projetos educativos e ações de conscientização sobre respeito, empatia e direitos humanos. Também é importante trabalhar a educação emocional, ajudando crianças e adolescentes a reconhecer sentimentos, compreender limites e construir relações saudáveis. Professores e gestores devem estar atentos a possíveis sinais de violência, sabendo acolher e encaminhar situações de risco. Quando família e escola atuam juntas, contribuem para a formação de cidadãos mais conscientes, responsáveis e comprometidos com uma sociedade mais justa e livre de violência.
Sabe-se que ações de proteção e punição a curto prazo se fazem necessárias. Mas a prevenção e a educação em todos os níveis, como estratégia de enfrentamento é sempre um caminho mais eficaz. A transformação social é urgente, contudo só será efetiva quando houver movimentos reais que consigam abranger fatores diretamente ligados a violência contra mulher, como: desigualdade de gênero; cultura de controle e machismo; histórico familiar de violência; abuso de drogas e álcool; dependência econômica; falhas nas redes de proteção e baixa educação emocional e resolução de conflitos.

