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Temporada do pinhão teve início com expectativa de safra menor no RS |
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| Colheita já iniciou, mas projeções indicam queda em diversas regiões e leve alta nos preços | |
A safra do pinhão começou na quarta-feira (1º/04) no Rio Grande do Sul, conforme a Lei Estadual Nº 15.915, de 22 de dezembro de 2022, que autoriza a colheita, transporte, comercialização e armazenamento da semente a partir desta data. Na Serra, principal região produtora, a Emater/RS-Ascar projeta uma safra menor em relação ao ano passado, com preços um pouco superiores. Tradicional na cultura regional, o pinhão segue tendo papel importante na renda e no sustento de famílias que atuam no extrativismo.
A engenheira florestal da Emater/RS-Ascar Regional de Caxias do Sul, Adelaide Juvena Kegler Ramos, explica que a legislação visa proteger a Araucária e a fauna associada, ao mesmo tempo em que busca conciliar a geração de renda das famílias envolvidas. Por se tratar de uma espécie ameaçada de extinção, permanece proibido o corte de araucárias nativas durante os meses de abril, maio e junho.
A Serra Gaúcha, a região das Hortênsias e os Campos de Cima da Serra continuam sendo os principais polos produtores do Estado. Em 2025, foram colhidas cerca de 600 toneladas de pinhão. Para esta safra, a previsão é de redução na produção na maioria dos municípios, embora os números ainda possam variar conforme o avanço da colheita.
A expectativa é de queda na produção, com percentuais que variam de 12,5% a 60%, embora alguns municípios possam manter ou até ampliar seus volumes. Entre os principais fatores estão as condições climáticas — como secas recorrentes e chuvas intensas em períodos críticos — além da característica cíclica da produção da araucária.
Entre os municípios, São Francisco de Paula deve registrar uma das maiores reduções. Já cidades como Muitos Capões, Jaquirana, Cambará do Sul, Bom Jesus e São José dos Ausentes também projetam queda. Em contrapartida, municípios turísticos como Gramado, Canela e Nova Petrópolis mantêm o pinhão como parte importante da economia local, especialmente ligada ao turismo.
Quanto ao desenvolvimento da safra, as variedades mais precoces já estão em fase de maturação, enquanto as tardias seguem em desenvolvimento. Apesar da boa qualidade sanitária, os pinhões apresentam tamanho reduzido em função das estiagens prolongadas. A colheita é manual e a comercialização se concentra entre abril e junho, podendo se estender até agosto em regiões com variedades tardias.
Em outras regiões, como Passo Fundo e Soledade, a safra inicia dentro da normalidade, com boa formação dos pinhões. A produção tende a se manter equilibrada, semelhante à do ano anterior.
Os preços variam conforme a forma de comercialização. Para produtores, ficam entre R$ 6,00 e R$ 8,00 por quilo, enquanto para o consumidor chegam a R$ 12,00 ou R$ 15,00. Produtos beneficiados, como pinhão moído ou paçoca, podem atingir valores ainda mais altos.
A atividade permanece majoritariamente informal e continua sendo uma importante fonte de renda complementar para muitas famílias, especialmente aquelas que conciliam o extrativismo com outras atividades ao longo do ano.

