Idade inicial para rastrear diabetes tipo 2 muda para 35 anos, de acordo com nova diretriz de sociedade médica
Quase 45 por cento dos adultos não sabem que têm a doença

Por ROS
26/01/2026 11h44

Uma nova diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) muda para os 35 anos a idade inicial para rastrear o diabetes tipo 2 em pessoas assintomáticas. A orientação indica ainda que crianças com obesidade e sedentárias também devem fazer exames. A mudança foi publicada pela entidade na revista Diabetology & Metabolic Syndrome.

O rastreamento era recomendado somente a partir dos 45 anos. Antes dessa idade, o exame era feito apenas em pessoas com fatores de risco, como obesidade e casos de diabetes na família, entre outros, segundo o presidente da SBD, Ruy Lyra.

O médico explica que a indicação agora é iniciar a triagem a partir dos 35 anos, incluindo pessoas mais jovens que apresentem fatores de risco, como o excesso de peso, inclusive crianças e adolescentes, pelo aumento de casos da doença nessa população.

• Quase 45% dos adultos desconhecem que possuem a condição, de acordo com a última edição do Atlas de Diabetes da Federação Internacional de Diabetes (IDF).
• No Brasil, esse número fica em aproximadamente 30%, de acordo com a SBD.

Por isso, a SBD destaca a importância do rastreamento precoce, já que muitos casos de pré-diabetes e diabetes serão identificados e essas pessoas poderão receber tratamento adequado, evitando, assim, complicações como problemas cardíacos e renais, cegueira e neuropatias nos membros inferiores, entre outras.

O diabetes é uma doença caracterizada pela presença de níveis elevados de glicose no sangue e há mais de 50 tipos da doença, que têm em comum a hiperglicemia e suas consequências. A doença é a principal causa de cegueira no mundo, neuropatias e amputações não traumáticas, além de ser uma das principais causas de insuficiência renal.

O alto consumo de produtos ultraprocessados e pouco exercício físico provocou um aumento dos casos de diabetes tipo 2 em todo o mundo, inclusive entre crianças e adolescentes.

Por isso, a nova diretriz da SBD recomenda que crianças a partir dos 10 anos também sejam testadas, principalmente aquelas com excesso de peso, que fazem poucas atividades físicas e que têm histórico familiar da doença.

Recomendações

• Pessoas com exames normais e baixo risco devem repetir a triagem a cada três anos
• Quem tem pré-diabetes ou múltiplos fatores de risco deve ser reavaliado todo ano
• O teste de tolerância por via oral, com uma hora de duração deve ser o método preferencial para detectar o diabetes e o pré-diabetes.

Diabetes tipo 2

O diabetes tipo 2 é o mais comum e está associado à resistência periférica à insulina, ao sedentarismo, obesidade, hipertensão arterial, alterações nos níveis de colesterol e triglicerídeos e fatores hereditários, com predisposição genética bem maior do que no tipo 1.

A insulina se liga a receptores das células e manda um sinal para que a glicose possa entrar nas nossas células e ser usada como fonte de energia.

Na resistência à insulina, esse mecanismo para de funcionar direito. Como a glicose não consegue entrar na célula da mesma maneira, ocorre um aumento de produção de insulina para compensar esse problema. Com o tempo, essa superprodução de insulina sobrecarrega o pâncreas, que passa não dar conta dessa alta demanda, explica a vice-Presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, Solange Travassos.

Os sintomas são os mesmos do diabetes tipo 1. A maior diferença é a evolução dos sintomas, pois no tipo 2 ela é mais lenta. Confira os sintomas:

• Emagrecimento
• Aumento da fome (os nutrientes entram no organismo, mas o corpo não consegue absorvê-los de forma adequada, gerando demanda extra por alimentos para tentar compensar)
• Sede excessiva
• Aumento na frequência urinária
• Cansaço.
• Em casos extremos (cetoacidose), a hiperglicemia causa vômitos, indisposição, desidratação e respiração alterada.

Tipos de tratamento

Além de medicações orais e injetáveis, como os análogos ao GLP-1, o paciente pode precisar da própria insulina. O tratamento do diabetes tipo 2 inclui medicações que podem atuar:

• no estímulo à liberação de insulina
• na diminuição da produção hepática de glicose
• nos hormônios que agem no intestino
• na diminuição de absorção de glicose no trato digestivo
• na diminuição da resistência à insulina
• no estímulo à excreção de glicose na urina

A cirurgia bariátrica ajuda no controle e até na remissão da doença (mas o diabetes pode retornar caso haja reganho de peso).

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