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Aberta a Colheita do Milho no RS com recorde de área e preços em queda |
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| Avanço na produção é resultado do aumento da área plantada, que alcançou 785 mil hectares, 9,31 a mais que na safra anterior | |
Sob sol forte e lavouras douradas, o governador Eduardo Leite participou em São Borja da 13ª Abertura da Colheita do Milho no Rio Grande do Sul. A safra 2025/2026 começa com números expressivos: 785 mil hectares plantados, alta de 9,31% sobre o ciclo anterior, e produção estimada em 5,79 milhões de toneladas, avanço de 9,45% frente às 5,29 milhões de toneladas de 2024/2025.
O ato simbólico ocorreu na propriedade da família Sallet, que cultiva 105 hectares com irrigação e rotação de culturas, práticas que garantem estabilidade e conservação do solo. O milho está presente em 487 dos 497 municípios gaúchos, consolidando-se como cultura estratégica para o Estado.
Irrigação como diferencial
O milho é a cultura que melhor responde ao uso da irrigação. Na safra passada, a área irrigada somou 117 mil hectares, com produtividade média de 11 mil quilos por hectare, resultado 63% superior às lavouras de sequeiro. Regiões como Missões e Noroeste concentram as maiores áreas irrigadas, em municípios como São Borja, São Luiz Gonzaga, Palmeira das Missões, Cruz Alta e São Miguel das Missões.
Já localidades como Bom Jesus, Muitos Capões, Vacaria e Venâncio Aires se destacam na produção sem irrigação, mostrando a diversidade de sistemas produtivos no Estado. Essa diferença reforça a importância da tecnologia e da gestão hídrica para garantir estabilidade em um cenário de mudanças climáticas e custos elevados.
Leite destacou o papel estratégico da cultura: “O milho sustenta cadeias de proteína, gera renda no interior e demonstra a capacidade de resposta do produtor gaúcho quando há planejamento, tecnologia e políticas públicas consistentes.”
O secretário da Agricultura, Edivilson Brum, reforçou a importância para a segurança alimentar: “É base da alimentação animal e fundamental para aves, suínos e leite, além de ser amplamente utilizado na produção de silagem.”
Mercado e desafios
Apesar da expansão, o setor enfrenta obstáculos. O preço médio da saca está em torno de R$ 62, abaixo do registrado no mesmo período do ano passado. O custo de produção elevado, a oscilação dos preços e a incidência de pragas, como a cigarrinha-do-milho, preocupam produtores.
O Rio Grande do Sul consome cerca de 7 milhões de toneladas por ano, mantendo um déficit estrutural. Em 2024, a necessidade de importar grãos de outros Estados e países gerou uma evasão estimada de R$ 3 bilhões da economia gaúcha. Esse contraste entre produção em alta e preços em baixa expõe o paradoxo da safra e reforça a necessidade de políticas públicas consistentes para equilibrar oferta, demanda e rentabilidade.
Agro e política
Leite aproveitou o evento para reforçar a defesa do agronegócio: “O agro não pode ser capturado por disputas ideológicas nem tratado com preconceito. Ele gera emprego, renda, divisas, garante alimento na mesa dos brasileiros e tem compromisso com a sustentabilidade. Aqui no Rio Grande do Sul, enquanto alguns atacam ou fazem barulho sem entregar soluções, nós trabalhamos.”
O governador também destacou investimentos em irrigação, infraestrutura e segurança jurídica: “Proteger quem produz é proteger a economia, o desenvolvimento e o futuro do Estado.”
A abertura da colheita do milho em São Borja não foi apenas um ato simbólico. Representou a força de uma cadeia que sustenta a produção de proteínas, movimenta bilhões e enfrenta desafios estruturais. Com expansão da área plantada, avanços em irrigação e políticas de apoio, o milho reafirma seu papel como pilar do agronegócio gaúcho.

