Quase 200 mil gaúchos vivem com renda familiar per capita de até R$ 16 por dia
Contingente seria quase três vezes maior sem os programas sociais

Por Marcello Casal Jr
21/09/2026 07h21

Relatório divulgado pelo governo gaúcho estima em quase 190 mil (1,7%) o número de habitantes do Rio Grande do Sul que viviam no ano passado com rendimento domiciliar per capita inferior à linha internacional de extrema pobreza, que é de US$ 3 (R$ 15,43) por dia. Sem programas sociais como Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada (BPC), esse contingente seria de 505 mil indivíduos (4,5%).

Pela linha nacional correspondente a um rendimento domiciliar per capita de até R$ 218 mensais, a proporção registrada no Estado passou de 1,8% em 2015 a 1,4% em 2024. Na faixa entre 1/4 e 1/2 salário-mínimo, o índice caiu  de 12,9% a 9% em igual período.

– O estudo também apresenta informações sobre a população cadastrada no Cadastro Único (CadÚnico) para programas sociais do governo federal. Em 2025, as mulheres representavam 57,6% dos registros gaúchos.

– Em relação a cor/raça, 76,1% eram brancos, enquanto a participação de pretos e pardos correspondia a 23%, acima do 19% verificado em 2015.

– Já a participação de pessoas com deficiência entre os cadastrados no Rio Grande do Sul passou de 3,9% em 2015 para 12,8% em 2025.

– Em 2025, a proporção de pessoas abaixo da linha internacional de extrema pobreza era de 1,8% entre as mulheres e 1,6% entre os homens no Rio Grande do Sul. No recorte por cor ou raça, o percentual foi de 2,2% entre pretos e pardos e de 1,6% entre brancos.

– Na divisão por localização do domicílio, embora a incidência tenha sido maior no meio rural entre 2015 e 2020, os indicadores passaram a se aproximar nos anos seguintes: desde 2021, os percentuais urbanos superam os rurais – no ano passado, as respectivas taxas foram de 1,8% e 1,2%.

– Outro indicador analisado mostra que 77,1% da população ocupada a partir dos 14 anos de idade no Rio Grande do Sul contribuía para instituto de previdência em 2025.

Serviços básicos

O estudo também analisa as condições dos domicílios em que pelo menos um morador recebe Bolsa Família ou BPC. Dentre os beneficiários do primeiro em 2025, cerca de 2/3 dos domicílios dispunham de esgotamento por rede geral, rede pluvial ou fossa ligada à rede.

A publicação acompanha, ainda, o acesso a tecnologias de informação e comunicação. No ano passado, 97,1% dos moradores do Rio Grande do Sul viviam em domicílios com utilização da internet. Em 2016, essa proporção era de 78,8%.

Desastres

No indicador que reúne mortos, desaparecidos e diretamente afetados por desastres, o Rio Grande do Sul registrou  em 2024 um total de 7.220,2 casos por 100 mil habitantes. O relatório relaciona boa parte do resultado às enchentes recordes ocorridas em maio daquele ano.

Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) reunidos no estudo, 478 dos 497 municípios gaúchos foram afetados pelas enchentes, com aproximadamente 2,4 milhões de pessoas diretamente impactadas. A estatística inclui 183 óbitos, 27 desaparecimentos, 806 pessoas feridas, ao menos 146 mil desalojadas e mais de 50 mil desabrigadas.

Outro indicador acompanhado pelo Caderno ODS trata da adoção de estratégias locais de redução de risco de desastres. No Rio Grande do Sul, a proporção de governos municipais com essas estratégias passou de 23,1% em 2013 para 56,7% em 2020. No Brasil, os percentuais foram de 23,1% e 47%, respectivamente.

menu
menu